terça-feira, 17 de maio de 2016

SAMHAIM



Dos festivais, este era o quê eu mais esperava! Para os Incas, a grande colheita. Não sei bem o porquê, mas esperava muito. Com a correria, cheguei a pensar que não fosse conseguir. Mas em fim consegui.
            O rito que marca a promessa da volta da Luz (Da criança) em todas as tradições, (pelo menos das que eu conheço, não conheço todas), modificando apenas a nomenclatura e vinha muito a calhar na fase que eu estava passando. Uma semana antes a minha vida parecia estar tudo a ruir, horripilante sensação... (cheguei a imaginar Descartes, na sua desconstrução, pra chegar no: penso, logo existo)...claro que a mente de Descartes é muito mais brilhante que a minha, creio que ele não sofreu de angustia como eu quando desconstruiu tudo o que sua mente concebia como concreto pra chegar nisso! Ele fez sozinho uma maiêutica, de Sócrates (Uau!). Voltando pra Terra, e pro blog!!!!
            A sensação era horripilante, chorei muito, foi difícil manter a serenidade, precisei de ajuda, mas lá no fundo, bem lá no fundo, nos momentos de calma, que eram bem raros, sentia algo do tipo: até isso faz parte! Querendo sempre manter o controle da situação, de tudo. A lição era diferente, e, diretamente o seu oposto.
            Ah! Nada está sob controle! Externamente nada!
            Porém, não posso descartar o que já havia aprendido, e sei que cabe a cada um de nós descobrir os caminhos da nossa própria alma, o caminho da sua Luz e nesses momentos “aterrorizantes” tê-la como norte, porto seguro, fortaleza... o chão! E que ninguém, nunca se sinta sem chão nesta Terra!! Assim é!!!
            Montei meu ritual e fiz algo que nunca, jamais fiz (tchan, tchan, tchan, tchan...) deixei pra comprar os itens que faltavam no dia do ritual, ficou faltando a romã (putz, já #@%$& né?!) ai quando eu tava quase chorando, sem saber o quê fazer uma bruxinha de perto da minha cidade, gentilmente pelo face book abriu minha mente: “O importante não é ser perfeito, mas verdadeiro,  não se prenda a detalhes.”
            Então inocentemente, substituí por milho, de boas na lagoa. J Depois de toda a preparação, quando iniciei o rito, me dei conta de que o milho é sagrado pra nós, por milhares de motivos. Foi lindo, foi pleno!
            A ritualística foi boa, me surpreendi (comigo mesmo). E embora eu me sinta muitas vezes culpada por não celebrar exatamente como os outros descendentes dessa tradição, pelas dificuldades do idioma (que eu não falo bem), falta de grana para importar itens, falta de tempo pra fazer como eu queria: confeccionar tudo, eu sei que a cada ritual, antes de qualquer coisa, minha dedicação em reverência está em primeiro lugar. Samhaim foi especial!
            Foi um rito de confirmação. Me senti feliz por ser parte de algo, ser só mais uma somada, agregada, entrelaçada, como um elo de uma grande corrente que é maravilhosamente humana, e o melhor, que aceitaram se unir a mim em respeito. Eu não preciso mudar para eles. Aceito e sou aceita como sou. E por respeitá-los antes, depois, passei a respeitar ainda mais! De fato, estão renascendo sentimentos que em mim haviam sido soterrados. Às vezes eu creio que tem vários! Ainda vou descobrir. E só de escrever essas palavras eu me emociono em gratidão e minha aura fica toda cor de rosa! <3
            Assim levo a vida! Sendo uma bruxinha atenta ao fato de que a verdadeira magia vem da alma, nunca já mais do ego, tudo bem que os egos podem agir em magia, aí já é outra história... Esse ensinamento infere que não existe ninguém mais forte ou mais fraco, existem pessoas em seus caminho e fim. O meu é esse aqui!